Samsung Galaxy A16
Samsung Galaxy A16
Hoje é 13 de janeiro de 2026. Ontem chegou meu telefone novo, que é o mais sofisticado que já tive. Ontem também houve aquele processo de configuração que me deixou cansado. Depois comecei a usar, mas terminei guardando-o novamente na caixa, porque estava sem capa e sem película.
Depois do almoço, fui com minha mãe comprar os acessórios de proteção. Aí pude colocá-lo simplesmente no bolso. Uma coisa que me chamou atenção na loja: havia dois teclados à venda. Teclados para telefone. Um de cinquenta reais, pequeno, mas com todas as letras do alfabeto. E outro parecido com um teclado de computador de mesa, mas com as teclas mais próximas e sem o teclado numérico; esse custava duzentos reais.
Achei curioso. Porque, na época em que meu último telefone com teclado quebrou e não havia mais outro para vender, naquele dia eu chorei. Se você ousasse dizer que telefone com teclado era melhor que telefone com tela sensível ao toque, as pessoas lhe insultavam.
Eu fui uma das seis pessoas desse planeta que não acreditaram quando Steve Jobs apareceu dizendo que valia a pena abrir mão de câmera, teclado, rádio, televisão, chave, papel, caneta, lápis, eu sei lá mais o quê, e substituir tudo por um tijolo de plástico com um lado de vidro. Mas assim foi feito.
Lembro de ter visto um homem dizendo: “Agora, na Inglaterra, já estão alfabetizando as crianças com telas. A completa substituição do papel é inevitável.”
Mas acredito que vocês sabem no que deu tudo isso. Deu em merda.
A Suécia foi o primeiro país a aparecer com dados mostrando que crianças educadas com telas aprendem menos e pior do que crianças educadas com papel. E pronto. Lá vai o mundo todo navegar de volta.
Por isso teclados começam a aparecer mais. Agora, quando você olha no seu telefone, há uma opção para configurar teclado analógico! Isso é recente. Há alguns anos, dava tanto trabalho colocar um teclado analógico em um telefone que era melhor arranjar logo um computador de mesa.
Mas, continuando. Ainda estou me recuperando de um resfriado, mas fui até a academia onde pratico judô acertar algumas questões.
Na saída — ou melhor, antes de sair — fui colocar o fone de ouvido no telefone para testar. Eu não saio sempre com telefone, mas queria fazer alguns testes. Para minha surpresa, o bicho não tinha o buraco para enfiar o fone. Fiquei perplexo. Aí fui ao Google perguntar que tipo de fone se usava nele. E lá dizia que usava Bluetooth e USB.
Aí eu fiquei: entrada USB? Fui perguntar ao Chat Não Sei o Quê PT para que servia a entrada USB de um Samsung Galaxy A16.
Ele respondeu com uma lista. No meio da lista tinha: conectar um teclado USB.
Eu disse: como é? Dá para pegar meu teclado USB — aquele que eu uso para trabalhar, estudar, jogar, viver — lá no meu computador de mesa e colocar ele nesse aparelho novo aqui?
Ele respondeu que sim.
Eu fiquei: como? Desde quando? Por que ninguém alardeou isso?
Ele contou o histórico da tecnologia que permitiu isso. Disse que vinha aparecendo apenas em telefones mais caros, de gente que usa telefone para exibir status e que não se preocupa em investigar para que servem as entradas. E que não era do interesse da mídia divulgar mudanças que são o fim de impedimentos, não avanços tecnológicos. Sempre deu para colocar um teclado USB em um computador. Mas Steve Jobs convenceu o mundo de que isso ia ficar feio, porque a entrada USB-A é grande demais. Na verdade, ele só dizia que beleza era mais importante que função. Por isso, hoje, todos os telefones ditos inteligentes são imitações uns dos outros. Supostamente, o que importa é beleza. Não ter um buraco onde o trabalhador que pagou caro no aparelho possa enfiar um pen drive.
Eu fiquei muito emocionado. Gravei um vídeo xingando Steve Jobs. Mas, depois de gravar e me acalmar, fiquei imaginando que provavelmente ninguém ia entender do que eu estava falando.
Dei uma olhada rápida e vi que já existem câmeras com visor. Aquele vidro onde você enfia o olho e olha para o que está sendo fotografado! Não para uma tela. Há delas por menos de seiscentos reais. Há um tempo atrás, a mais barata com esse visor custava mais de três mil.
No auge do culto a Steve Jobs, filmar algo que não fosse com telefone era motivo de escárnio público. Mas hoje mesmo eu estava vendo uma atleta mostrando orgulhosa sua câmera.
Esse inverno de ignorância tecnológica está começando a passar. Isso me deixa com um pouco de esperança.
Até.
PS: Já estou imaginando viajar para o Piauí com meu teclado USB Goldentec e ir digitando de lá tudo o que está acontecendo no treinamento de campo. Mas, para isso, eu preciso ir. E ainda não tenho o dinheiro.

Comentários
Postar um comentário