Pesagem e mais.
Crato, 23 de outubro de 2025.
Ontem foi um dia muito importante, com acontecimentos marcantes que preciso registrar. Mas, ao mesmo tempo, houveram acontecimentos anteriores que ainda não registrei por escrito. Vou tentar fazer tudo isso em um texto só!
Vamos ver. Ontem, dia 22 de outubro, quarta-feira, às seis e cinquenta da manhã, eu estava sentado no banco de uma praça. Uma praça cujo nome oficial eu não sei, mas que chamo de Praça do Estadual. O Estadual é o colégio onde cursei o Ensino Médio, em quatro dolorosos anos. De tudo de horrível que passei ali, só restaram de lembrança positiva os momentos na quadra de basquete. Assim, é uma quadra poliesportiva, mas para mim era essencialmente de basquete e continua sendo. Porque o primeiro motivo que me trouxe a ela recentemente foram as disputas de basquete dos jogos "interclasses" do meu curso de Educação Física. Eu fui assistir; meu próprio semestre não pôs time de basquete, nem masculino nem feminino.
No começo do dia eu estava muito, muito irritado com esses jogos interclasse. A experiência que passei no último fim de semana, particularmente o sábado, de passar várias horas na companhia de uma equipe com quem escolhi estar — e, graças a Deus, fui acolhido — é muito diferente de estar em uma equipe onde você foi colocado arbitrariamente, simplesmente por ter passado no mesmo vestibular no mesmo dia para o mesmo curso. Embora eu esteja por vontade, estou na companhia de pessoas que parecem estar forçadas, e isso cria experiências bem desagradáveis. Minha equipe, meu semestre, só jogou um jogo coletivo, futsal, e perdeu de nove a zero. Mas o placar não é o maior problema. A plateia formada por alunos de Educação Física percebeu a desunião da turma; isso é pior que o resultado. E por isso temos sido alvo de chacota.
A solução para evitar novos fracassos estava viva na cabeça minha e dos meus colegas de turma: nunca mais se inscrever em jogos, seguindo os exemplos do quarto e quinto semestres, que não participaram dos jogos atuais. E eram esses os pensamentos que me atormentavam antes das sete da manhã, na Praça do Estadual, colégio de Ensino Médio onde eu mesmo estudei, vizinho do Ginásio onde hoje curso Educação Física.
Estava, entre outras coisas, me lembrando da visita que fiz a uma creche no dia 11 de outubro, um sábado. Nessa ação, eu também fui o primeiro a chegar. Me refiro à equipe que ia fazer a ação; os funcionários já estavam lá.
Assim que entrei, as pedagogas — são duas — me receberam. Duas pedagogas cuidando de quarenta crianças típicas, que não têm problemas psicológicos, e duas cuidadoras que cuidam de duas crianças típicas. Mas todas as quarenta e duas crianças convivem juntas. Acho que ainda vou falar dessa visita à creche e pretendo visitar essa e outra mais vezes para ter mais vivências, mas a parte relevante para este texto: ao chegar na creche, as pedagogas me contaram que todo mês há um sábado letivo, um sábado em que os pais levam as crianças como se fosse um dia normal, de segunda a sexta.
Eu estava pensando que, quando um professor do meu curso ousa falar em algo como sábado letivo, meus colegas de curso reclamam mais alto que as crianças da creche. Praticamente não há cultura para se fazer nada fora do horário de aula. Mas, por algum motivo, inventaram de colocar os jogos de vôlei de areia em um sábado, a nove quilômetros do nosso ginásio, depois de um caminho em subida. Como esperado, pouquíssimas pessoas foram, o que gerou trocas de acusações grosseiras entre corpo discente e docente. Não vi ninguém considerando a possibilidade de os dois grupos terem a mesma quantidade de culpa.
E naquela praça eu me irritava porque o xadrez estava marcado para a hora da aula de Pesquisa. Esse professor já havia cedido dois dias de aula de Pesquisa para os jogos e, mesmo assim, ainda restavam modalidades a se realizarem justamente na hora da aula dele.
Eu, naquela praça, esperava três colegas de curso e um professor para realizarmos uma ação de Capoeira no Estadual, com uma turma de Ensino Médio.
Eu tinha me afastado da Capoeira e talvez irritado alguém por isso. Minha explicação de que estava me preparando para lutar judô talvez tenha parecido apenas uma desculpa. Mas não. Nos dias que antecederam a luta, precisei perder três quilos, o que diminuiu minha cognição e o tempo para práticas físicas.
Mesmo com vários dias de dieta, no dia da pesagem oficial ainda precisei ficar sem comer nem beber água das cinco e vinte da tarde até as duas e cinquenta do dia seguinte — pouco mais de vinte e uma horas.
É muito bom estar numa equipe que luta com propósito; minha esperança é que essa fagulha incendeie outros.
Para eu continuar lutando e tentando incendiar outros, preciso de ajuda. Agora, para trocar de faixa.
Mas continuando. Chegaram meus dois colegas do curso de Educação Física e da Extensão de Capoeira; eles são do segundo semestre. Depois, o professor da cadeira de Metodologia, da Extensão de Capoeira, orientador de grupo de pesquisa, além de mestre de capoeira com trinta e cinco anos de prática nessa modalidade.
Essa ação foi importante demais e nem cabe neste texto. Mas deixou claro para mim algo que contei depois na aula de Pesquisa: quando o professor disse que entendia a importância dos professores de escola, mas que ele só se via ensinando na Universidade, eu disse: "Pois professor, hoje fui dar aula no Ensino Médio e não me vejo como professor universitário, eu quero ir logo para a escola."
Foi uma manhã muito boa. Depois da ação no Estadual, saí correndo para a aula de Fisiologia e cheguei no comecinho. O professor, além de dar uma boa aula, estava fazendo um experimento de fisiologia prática muito cruel: colocou a sala em uma temperatura baixíssima, aparentemente para demonstrar que quem tem baixa massa muscular sofre mais com o frio. Esse professor tem uma academia de musculação em casa e aparentemente treina para resistir ao frio.
Quem tinha menos músculo passou mais mal. Em dado momento, um colega pegou o controle do ar-condicionado e o professor educadamente falou: "Se aumentar a temperatura, lhe boto falta." Esse professor é muito bom; foi uma sorte enorme ele ter caído com a gente. Ele é temporário, passou em concurso para titular na nossa Universidade, mas ainda não foi chamado.
E de tarde, todo o estresse e desentendimento veio à tona. Me irritei com minha turma, reclamei no grupo do WhatsApp dizendo que não ia jogar. Mas terminei indo, e com três vitórias peguei o primeiro lugar e voltei para a aula de Pesquisa.
Primeira medalha de ouro da minha turma. Agora eu tenho que voltar ano que vem para defender meu título, e assim caiu por terra a estratégia de não participar. Vamos ver se consigo organizar uma equipe de basquete também. Me sigam para mais relatos de frustração perene e júbilo efêmero.
Até.

Comentários
Postar um comentário