Corrida Solidária
Olá leitores
No dia 20 de julho eu lancei meu último texto elaborado. Eu ainda vivia a ilusão de que ia conseguir concluir o exame de faixa roxa antes de sair da minha antiga equipe. Mas me comuniquei com eles por WhatsApp e concluí que não havia mais nada para eu fazer ali. Nos primeiros minutos da segunda-feira, à meia-noite e nove minutos, assinei uma carta informando meu desligamento. Às seis da manhã enviei para eles por e-mail e WhatsApp. Continuei registrado lá por agoniantes 50 dias. Mas isso passou.
Desde o dia 9 de setembro estou registrado na Dojô Solo. Agora que esse grande problema foi superado, acredito que aqueles que eu chamo de textos elaborados vão voltar, mas por enquanto vai ser mais um texto com estilo de diário, mas marcando uma virada importante. Minha atual equipe já me perguntou se eu queria lutar na Copa Samurai dia 18 de outubro. E eu respondi que sim. Mas para conseguir lutar vou precisar do apoio dos meus leitores.
Hoje eu tive a oportunidade de participar de outro tipo de competição, uma competição de atletismo. Eu gosto muito de atletismo, passo uma boa parte do meu dia vendo vídeos e fotos dessa modalidade tão rica.
Pois então. Meu irmão, o professor de Educação Física doutorando Xavier Júnior, me inscreveu em uma corrida organizada pela irmã dele e que propõe a solidariedade com crianças doentes de câncer. Ele não ia poder vir esse ano, eu fui representá-lo.
A corrida aconteceu no Centro Cultural, não o vizinho da minha casa que está semiabandonado, o que fica um tanto mais longe.
Eu agora estou treinando em uma academia que fica perto desse Centro Cultural do Cariri, a Formas Fit. Ela está sediada no que me parece ser um galpão de fábrica. Não sei se vocês sabem como é esse tipo de prédio, mas é um prédio com um cômodo muito grande, e outros menores onde, quando há uma fábrica funcionando, fica a administração. Eu visitei muitos prédios assim quando trabalhei no IBGE, tanto ativos quanto parados. Existe um bairro em minha cidade chamado Muriti que tem muitos prédios assim. Tanto os ativos quanto os parados com frequência são vigiados por cachorros da raça pastor-alemão. Uma vez eu cheguei com um colega do IBGE em um que não estava funcionando e tinha seis pastores-alemães vigiando. Imagine manter vigia e cachorros para proteger um galpão que nem está funcionando.
Se eu pudesse escolher um lugar para colocar uma academia de judô seria um desses galpões. Há espaço para colocar um tatame grande e receber eventos e competições federadas. Mas para um lugar desses funcionar você não pode depender de mensalidades. Ninguém vai pagar mensalidade para treinar em um lugar desses. É um setor industrial. Inclusive existe um presídio industrial naquela área. Os presos fabricam coisas. Alguém que mora no Distrito Sede não vai querer treinar judô ali, mas um projeto focado em distritos periféricos tem muito a ganhar com uma sede naquele lugar.
Um colega da faculdade me disse que eu não devia achar que as ideias do judô que eu estudo do Japão vão funcionar aqui no Crato. Eu escutei, mas depois sozinho ri. Minhas ideias para o judô no Crato foram pensadas no Crato, não são importadas de nenhum outro lugar. Se soam estrangeiras é porque são "importadas" de alguém que cresceu nas classes sociais baixas e tem um jeito de pensar diferente dos que normalmente praticam artes marciais.
Mas voltando para a academia Formas Fit, como é óbvio eles não têm um tatame gigante e uma arquibancada. No galpão funciona uma academia de musculação, o tatame fica numa sala.
No sábado, depois de sair de minha casa, peguei o ônibus grátis para o Centro Cultural do Cariri às 8h20 da manhã. Eu era o único passageiro.
Vamos usar mais aquele lugar, gente. Nós, cratenses, temos por cultura desprezar tudo que não fica no Centro e de zombar de um centro que fica na periferia.
Vamos rir aqui. Em frente ao centro cultural tem uma placa escrita "Centro do Crato" e apontando para a direita. Deviam ter chamado aquele lugar de Periferia Cultural, porque ali não é o centro. Mas o que está feito está feito. Construíram ali, não tem o que a gente possa fazer mais, além de usar.
Cheguei na Periferia Cultural às oito e meia da manhã. Estava tendo aula de um projeto de karatê, e o povo da cronometragem ainda não estava entregando os kits para a prova do dia seguinte. Fiquei olhando a aula de karatê por uns minutos, quando estava perto da hora de meu treino de judô começar fui saindo. Joyce, a organizadora da corrida, tinha chegado, mas os kits só iam ser distribuídos às nove horas, e meu treino de judô estava marcado para nove horas. Fui para a academia que fica vizinho.
Às onze horas voltei e peguei meu kit.
Não lembro muito bem quando, mas sei que no decorrer do dia meu resfriado ficou evidente, mas eu não queria perder a corrida.
Mesmo doente, consegui assistir a um colega da Dojo Solo lutando MMA pelo YouTube, ao vivo.
Fazia muito tempo que eu não assistia MMA. A luta dele me lembrou outras em que um lutador fica derrubando o adversário e tomando soco, e os comentaristas dizendo que ele está perdendo, mas no final ele ganha. Os árbitros valorizam mais as quedas que os socos. E foi assim, ele ganhou e os comentaristas disseram que foi errado. Minha equipe não se importou com esse detalhe irrelevante, a comemoração foi muito grande.
Instagram do parceiro do MMA
Hoje eu saí de casa para a corrida às cinco e quinze da manhã. Eu estava bem doente, não me lembro muito bem das coisas.
Minha mãe me perguntou se tinha carros no caminho, respondi que não prestei atenção, se tinha muita gente correndo, eu respondi que não prestei atenção.
Eu sei que quando estava entrando no portão da Periferia Cultural vi uma mulher com um top preto, basicamente um sutiã e o número no calção. Por algum motivo isso ficou na minha cabeça. Quando o homem da federação falou no microfone que quem ia correr por medalha tinha que usar o número nos peitos ou seria desclassificado, eu entendi por que aquele número no calção me pareceu tão bizarro. É uma grande quebra das regras do atletismo. Gera desclassificação em uma prova rígida. Mas como o homem da federação acrescentou, eles só iam desclassificar os atletas da frente, não iam incomodar quem só queria participar. Terminei aproveitando a deixa para baixar meu número que estava incomodando, mas não tão baixo quanto a mulher colocou, o meu ainda ficou na camiseta.
Eu sei que eu completei a prova. Em dado momento errei uma curva e passei por cima de uns cones. Apertei a mão de um colega da faculdade que estava trabalhando de staff. Comi duas bananas na hidratação, peguei a medalha e fui para casa. Cheguei em casa faltando cinco para as sete da manhã. Mandei mensagem dizendo à minha mãe que não precisava vir dar comida à gata Lua, que tem leucemia e dificuldade de comer comida seca. Dei a comida. Fui para a calçada gravar um storie. Depois descansei por uma hora, antes de me levantar para tomar café.
Hoje Pietro Fittipaldi conseguiu um pódio. Esse rapaz foi muito importante para me inspirar com ideias que uso em meu treinamento diário. Este ano não estou conseguindo acompanhar muito as corridas dele. São muito demoradas, mas fiquei feliz com o pódio.
Até.
Falta menos de um mês para a Copa Samurai. Quero muito lutar.
Pix: diegosergioadv@gmail.com
Pratico judô e sou atualmente 3º kyu (faixa verde).
Estou treinando para o exame de 2º kyu (faixa roxa).
Pretendo lutar na Copa Samurai dia 18 de outubro, mas para isso preciso de um monte de dinheiro.
Curso Educação Física na URCA.
Estou planejando um projeto de judô inclusivo chamado Judô no Escuro. Pretendo ir contando mais com o passar do tempo.


Comentários
Postar um comentário